Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

Revista espírita — Ano VI — Abril de 1863.

(Édition Française)

DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS.


Cartão de visita do Sr. Jobard.

(Sociedade Espírita de Paris,  †  9 de janeiro de 1863. – Médium: Sr. d’Ambel.)

Hoje venho fazer minha visita de confraternização e, ao mesmo tempo, apresentar-vos um velho camarada de colégio, com que acabam de enriquecer-se as nossas legiões etéreas. n Acolhei-o, pois, como um novo e zeloso partidário da verdade nova. Se em vida não foi um espírita autêntico, podemos afirmar que jamais se pronunciou abertamente contra as nossas crenças. Direi mesmo que no âmago de sua consciência ele via no Espiritismo a salvaguarda de todas as religiões do futuro. Mais de uma vez em sua vida teve a indizível felicidade de sentir a iluminação interior que lhe mostrava o caminho da verdade, quando a incerteza estava a ponto de invadir sua alma. Assim, quando trocamos fraterno aperto de mãos apenas algumas horas atrás, disse-me ele com seu meigo sorriso: Amigo, tínheis razão.

Se ele não se prestou ao desenvolvimento de nossas ideias, é que a intuição mediúnica que nele agia lhe deu a entender que nem a hora nem o momento eram chegados, e que ele teria corrido perigo em fazê-lo no meio das graves complicações de seu ministério e entre um rebanho tão difícil de conduzir quanto o seu.

Hoje, que se acha liberto das preocupações da vida terrena, não poderia estar mais feliz por assistir a uma de vossas sessões; porque, desde muito tempo, ambicionava vir sentar-se em vosso meio. Muitas vezes teve vontade de visitar o nosso caro presidente, pelo qual nutria uma estima muito particular, apreciando o quanto seus livros e ensinamentos reconduziam as almas, se não para o seio da Igreja, ao menos à crença e ao respeito de Deus e à certeza da imortalidade. Devo, entretanto, dizer que quando fui visitá-lo, recebendo-me com a efusão de um antigo condiscípulo, tinha oposto ao meu zelo, talvez exagerado, de o converter, a famosa razão de Estado, ante a qual tive de me inclinar. Todavia, acompanhando-me, disse estas palavras simpáticas: Si non é vero é ben trovato!

Agora que veio juntar-se às nossas falanges e já não está retido pelos mesmos escrúpulos, faz votos pelo sucesso de nossa obra e encara com alegria o futuro que ela promete à Humanidade. Contempla com satisfação inefável a terra prometida às novas gerações, ou, antes, às velhas gerações que tanto lutaram, e prevê a hora abençoada em que seus sucessores empunharão resolutamente a nova bandeira da fé galicana: o Espiritismo!

Meu caro presidente e meus bem-amados confrades: seja como for tive a honra de receber às portas da vida este venerável amigo e tenho orgulho de o apresentar ao vosso meio. Ele me encarrega de vos assegurar toda a sua simpatia e vos dizer que seguirá com muito interesse vossos trabalhos e estudos. À felicidade de ser o seu intérprete ao vosso lado, junto a de vos apresentar as felicitações de uma legião de grandes Espíritos que acompanham vossas sessões com assiduidade. Trago-vos, pois, em meu nome e no deles o tributo de nossa estima, formulando votos pelo sucesso da grande causa.

Vamos! em breve a Terra não contará mais entre os seus habitantes senão alguns raros humanimais. n Aperto a mão de Allan Kardec em nome de todos os vossos amigos de além-túmulo, em cujo número peço me conteis como um dos mais dedicados.


Jobard.



[1] [No final do artigo seguinte: Sede severos para convosco e indulgentes para com os outros, François-Nicolas Madeleine agradece a Jobard [Jean-Baptiste-Ambroise-Marcellin Jobard] por tê-lo apadrinhado no mundo invisível.]


[2] N. do T.: Cunhada por Jobard, a palavra humanimal não faz parte do léxico francês, muito embora, no contexto da frase em que se acha inserida, possamos adivinhar facilmente o seu significado.


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